Sínodo da Amazônia

07.10.2019

Senador Paulo Paim (PT/RS)
sen.paulopaim@senado.leg.br

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Senadores. 

Como é de conhecimento de todos e amplamente abordado pela imprensa, teve início no dia de ontem, no Vaticano (Roma - Itália), o Sínodo da Amazônia.  

Esse encontro de bispos vai até o dia 27 de outubro e neste ano vai discutir a floresta amazônica nos eixos ...

... ambientais, sociais e da própria integração da igreja católica que está presente em nove países da região amazônica: ...

... Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela e Suriname. 

Além de bispos, padres e freiras também participam estudiosos, pessoas ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) e membros dos escritórios do Vaticano (a Cúria Romana). 

A maior parte da floresta amazônica está no Brasil, por isso o sínodo tem muitos participantes brasileiros. O relator-geral, responsável pela redação dos documentos, é o cardeal Dom Claudio Hummes. 

Senhor Presidente,

A palavra "sínodo" vem do grego “sýnodos” e quer dizer “reunião”. 

Na Igreja Católica, o sínodo pode ser qualquer reunião entre os praticantes desta religião. 

Em 1965, Paulo VI criou o Sínodo dos Bispos. A ideia é reunir Papa e Bispos para discutir temas importantes que podem ser ou não religiosos. 

Antes da Amazônia, os temas escolhidos haviam sido jovens e família, por exemplo. 

Em outubro de 2017, o Papa Francisco convocou o evento deste ano. 

A ideia, segundo o Vaticano, é debater as dificuldades de a Igreja atender os povos da região, especialmente os indígenas. 

Segundo a Igreja Católica, faltam padres, as distâncias entre as comunidades são longas e a carência de serviços públicos acaba fazendo com que a Igreja assuma papéis de assistência social. 

Disse o Papa Francisco, abre aspas, ...

... "O problema essencial é como reconciliar o direito ao desenvolvimento, inclusive o social e cultural, com a tutela das caraterísticas próprias dos indígenas e dos seus territórios", fecha aspas.  

O documento que orienta a reunião tem duras críticas ao atual modelo de desenvolvimento da Amazônia. 

Entre os pontos a serem debatidos estão: 

A complexa situação das comunidades indígenas e ribeirinhas, em especial os povos isolados;

A exploração internacional dos recursos naturais da Amazônia;
A violência, o narcotráfico e a exploração sexual dos povos locais;

O extrativismo ilegal e/ou insustentável;

O desmatamento, o acesso à água limpa e ameaças à biodiversidade;

O aquecimento global e possíveis danos irreversíveis na Amazônia;

A conivência de governos com projetos econômicos que prejudicam o meio ambiente.

Senhoras e Senhores, 

Segundo a imprensa, o Papa Francisco é o Papa que mais se dedicou à pauta ambiental. A encíclica Laudato si' (Louvado seja) foi um dos documentos mais importantes que já escreveu e teve impacto, por exemplo, nas discussões que levaram ao Acordo de Paris. 

Há quatro anos, ele lançou uma encíclica repleta de críticas ao modelo de desenvolvimento que destrói o meio ambiente sem compromisso com a inclusão social. 

O Papa Francisco entende que os problemas sociais e ambientais não podem ser analisados separadamente. 

Ele escreveu em Laudato Sì ... 

“ Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta...

Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. 

O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na consciencialização.

Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. 

As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, ...

... à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. 

Precisamos de nova solidariedade universal. 

Como disseram os bispos da África do Sul, «são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus. ”

Senhoras e Senhores, 

Chamo a atenção que também serão debatidos outros temas: a liderança das mulheres nas comunidades cristãs, a falta de padres, o diálogo com evangélicos e outros grupos religiosos. 

Conforme o vaticano, a função do Sínodo dos Bispos não é propor soluções técnicas. A ideia é apresentar princípios para que os envolvidos busquem as soluções. 

Abre aspas, “o principal "alvo" das propostas do Sínodo são os próprios participantes, líderes da Igreja na região amazônica... 

Não vamos dizer façam vocês, mas sim o que nós devemos fazer como Igreja missionária e aberta ao diálogo”, fecha aspas, palavras de Dom Cláudio Hummes.

Ele prossegue, ...

Quando as outras partes envolvidas nos temas amazônicos não estiverem abertas ao 

diálogo (governos e empresas internacionais, por exemplo), é função da Igreja “denunciar os problemas e propor novos caminhos”.

Senhor Presidente,

Pela importância do tema fiz questão de aqui fazer esse registro. 

O meio-ambiente é tudo, é vida, é sobrevivência, é respeito aos direitos humanos, é fraternidade, é amor.

Era o que tinha a dizer,
Sala das Sessões, 07 de outubro de 2019.
Senador Paulo Paim.   
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